MENSAGEM DA ADMINISTRAÇÃO

Nesta entrevista, o Presidente do Conselho de Administração, Andre Dorf, e o Diretor Presidente, Gustavo Sousa, traçam um panorama do ano de 2016, incluindo uma análise do mercado, bem como dos desafios e oportunidades relacionados à sustentabilidade e às perspectivas para 2017.

Em 2016, a CPFL Renováveis passou a ser a primeira empresa do segmento a alcançar a marca de 2 GW de capacidade em operação no Brasil

Em um cenário desafiador na esfera político-econômica no País, como foi o ano de 2016 para a CPFL Renováveis?

Andre Dorf: Apesar de uma conjuntura política e econômica adversa, mantivemos nossa liderança no Brasil, atingimos 2 GW de capacidade instalada em operação e entregamos três projetos, com destaque para os complexos eólicos no Rio Grande do Norte. Resultados assim só foram possíveis com uma gestão madura, com visão e estratégias claras, baseadas em princípios sustentáveis. Hoje, a Companhia tem uma sólida estrutura técnica-corporativa que nos garante um bom posicionamento e uma boa reputação junto ao mercado.
Do ponto de vista setorial, a situação econômica dificultou a implantação de empreendimentos importantes para o setor, como as linhas de transmissão. Isso aumentou o risco de alguns projetos em fontes renováveis, em função da dificuldade de escoamento da energia, o que tem sido um desafio para as geradoras. Mas esperamos que isso seja resolvido o mais breve possível, com novos investimentos nessa área.

Gustavo Sousa: Como já citado pelo André, ao fazermos um balanço sobre 2016 temos muitos motivos para comemorar. Apesar das dificuldades vivenciadas pelo mercado no último ano, conseguimos atingir nossas metas corporativas. Os contratos de longo prazo que firmamos para os nossos projetos nos trazem segurança para que consigamos atravessar momentos adversos da economia com estabilidade em nossos resultados.
Por outro lado, ainda dependemos de financiamentos para novos projetos, e a restrição de crédito no mercado nos afeta. Porém, nossa reputação e escala nos garantem diferenciais importantes. Em 2016, fechamos, em parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o primeiro financiamento do País para projetos de fontes renováveis para o mercado livre, na categoria de project finance, reforçando mais uma vez o nosso pioneirismo.

 

No final do ano, a estatal chinesa State Grid Corporation of China adquiriu o controle acionário da CPFL Energia. De que maneira isso afeta a CPFL Renováveis?

Andre Dorf: Ainda é cedo para comentar sobre os impactos do ingresso da State Grid no Grupo CPFL. Trata-se de uma empresa representativa no setor elétrico global e com presença em fontes renováveis. Como estamos presentes em todos os segmentos do setor elétrico brasileiro, a CPFL Renováveis atua de forma conjunta com as outras empresas do Grupo, trocando experiência e criando modelos de negócios integrados. O mesmo deve acontecer com os novos acionistas.

Gustavo Sousa: A State Grid é a maior empresa do setor elétrico mundial e com certeza terá muito a contribuir. Temos que esperar a consolidação dessa operação para que possamos planejar as ações futuras com mais clareza. Da nossa parte, precisamos manter “a casa em ordem”, ou seja, com todos os nossos processos muito bem alinhados, padronizados e em conformidade com leis e regulamentos e excelência com padrões internacionais.

 

Hoje, quais são os principais desafios para uma organização como a CPFL Renováveis?

Andre Dorf: As questões regulatórias sempre representaram um desafio para o setor elétrico, mas isso está mudando. Atualmente, os ambientes institucional e regulatório estão mais maduros e muitos aspectos críticos já foram equacionados. Por outro lado, a retração do mercado pode nos afetar, assim como os desafios de financiamento vêm impactando os negócios em todo o setor elétrico nos últimos anos. Em períodos anteriores, havia grande necessidade de energia nova. Hoje, essa demanda caiu. Precisamos ser criativos para encontrar e aproveitar novas oportunidades de mercado.

Gustavo Sousa: Os principais desafios envolvem o ambiente macroeconômico, que afeta o País, e o regulatório. Além disso, temos os desafios internos de uma empresa que, em apenas cinco anos, se tornou líder de mercado. Um exemplo que podemos ressaltar foi o trabalho que fizemos em 2016 para implantar uma gestão mais abrangente de nossos riscos potenciais, seguindo as premissas de nosso planejamento estratégico.

 

E quais foram os destaques para a gestão da Companhia em 2016?

Andre Dorf: Um acontecimento relevante foi a consolidação de nossa gestão de projetos, iniciada em 2013. Graças a esse trabalho, entregamos, mais uma vez, todos os nossos empreendimentos com antecedência e dentro do orçamento. Somos uma Companhia enxuta e eficiente, e, com pouco mais de 400 colaboradores, conseguimos gerenciar um portfólio de mais de 2 GW de capacidade instalada em operação, distribuído por oito estados e 91 usinas. Esse é nosso grande destaque.

Gustavo Sousa: Tivemos muitos pontos positivos em 2016, em especial o alcance da marca de 2GW, como citou o Andre, e o amadurecimento de nossa equipe. Podemos dizer que, hoje, temos um time muito experiente e com grande conhecimento sobre o setor no qual atuamos. Além disso, temos investido em comunicação, o que promove um engajamento positivo com os nossos públicos de interesse. Como prova de que estamos no caminho certo, nossa pesquisa de clima interno, que é realizada a cada dois anos, mostrou uma evolução de 61% para 70% de favorabilidade entre os colaboradores.

 

E quais são as perspectivas de futuro para a Companhia?

Andre Dorf: Antes de responder diretamente a esta pergunta, acho importante falar do contexto do nosso segmento. Os últimos anos trouxeram grandes evoluções nas iniciativas de combate ao aquecimento global no mundo. Em 2015, tivemos a conferência do Clima em Paris, com adesão dos Estados Unidos e da China e, em 2016, as discussões se ampliaram em Marrakech, demonstrando que o tema se consolidou como uma preocupação global para o futuro das próximas gerações.
Hoje, o Brasil tem metas claras de redução de emissões de gases de efeito estufa. Como consequência, outras iniciativas começam a nascer e ganhar força, especialmente dentro do setor elétrico. Por isso, muito tem sido investido para o desenvolvimento de outras formas de geração de energia elétrica e, nesse sentido, as eólicas evoluíram muito. Percebemos o amadurecimento do segmento, especialmente com a entrada no mercado de grandes players, inclusive internacionais, que percebem que os riscos para investimentos nessa área são cada vez menores. Para nós, essas perspectivas só podem ser positivas, afinal, a geração de energia a partir de fontes renováveis é a essência do nosso negócio. Mesmo com a retração do mercado, temos capacidade técnica-financeira e criatividade para viabilizar projetos competitivos em uma área que só tende a crescer.

Gustavo Sousa: Existe uma expectativa de que o mercado de energia volte a crescer e isso deve gerar novas oportunidades, com uma maior estabilidade regulatória. O governo está prevendo um leilão de descontratação para 2017, com o objetivo de possibilitar a descontinuidade de projetos com dificuldades de entrega. Do nosso lado, continuamos desenvolvendo os projetos contratados e estamos preparados tanto para atender a demanda de energia como para investir em novas oportunidades.
Além disso, mantemos nosso compromisso com o Pacto Global e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, trabalhando para assegurar o acesso à energia confiável, sustentável, moderna e barata para todos.